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Terapia ocupacional e seus benefícios para os idosos

Destaque, Entrevistas

Conversamos com a terapeuta ocupacional Bruna Dutra para entender melhor sobre essa profissão e, principalmente a respeito dos benefícios das suas intervenções para a saúde dos idosos.

A terapia ocupacional é imprescindível nas Instituições de Longa Permanência para Idosos e age como facilitadora capacitando os idosos a desenvolverem sua própria autonomia. As atividades propostas oferecem estímulos para o melhor uso possível das capacidades remanescentes e incentiva os idosos a tomarem suas próprias decisões, de acordo com suas realidades.

O que é a terapia ocupacional? E há quanto tempo essa profissão é regulamentada?

A terapia ocupacional é uma profissão das áreas da saúde e social, que ajuda o indivíduo a recuperar, desenvolver e construir habilidades para sua autonomia e independência funcional, sua saúde, segurança e integração social.

A ênfase da terapia ocupacional é na capacidade de desempenho funcional das pessoas, compreendida nos aspectos sensorimotores, nos componentes e nos aspectos psicossociais, que são considerados essenciais para a realização das atividades cotidianas. Com isso, o terapeuta ocupacional (TO) auxilia a pessoa idosa a ter um desempenho mais independente no seu dia a dia, de maneira a melhorar a qualidade de vida e prazer nessa fase tão importante e complexa da vida.

A terapia ocupacional foi regulamentada há mais de 50 anos por um decreto conjunto com a fisioterapia, o Decreto Lei n. 938, de 13 de outubro de 1969.

No contexto da saúde dos idosos, quais as principais competências do TO e quais os principais focos de acompanhamento?

Na área da saúde, o TO poderá intervir junto a idosos nos diversos níveis de atenção.

As ações do TO na promoção visam o bem-estar ocupacional e o estímulo às potencialidades dos idosos saudáveis. Na prevenção, o profissional pode intervir desenvolvendo ações anteriores à instalação de doenças e/ou deformidades. No tratamento e na reabilitação, atua nos muitos agravos que comprometem significativamente a capacidade, como os comprometimentos neuropsicogeriátricos (p. ex: as demências e a depressão), doenças do aparelho musculoesquelético (p. ex: artrites, artroses) e do aparelho circulatório (p. ex.: acidente vascular encefálico).

Já nos cuidados paliativos, auxilia a encontrar atividades significativas para viver o presente, aliviar a dor, o sofrimento e sintomas estressantes e a busca da aceitação pacífica da proximidade da morte, promovendo qualidade de vida a esses indivíduos.

Como você enxerga a obrigatoriedade legal de se ter um TO nos lares de idosos?

A obrigatoriedade da inserção do profissional da terapia ocupacional nas ILPIs é uma oportunidade de oferecer melhor qualidade na assistência aos idosos, já que é de suma importância a presença desse especialista na equipe das instituições, pelo olhar diferenciado e capacitado que possui, atendendo às especificidades necessárias de todo o processo do envelhecimento.

Quais os principais benefícios para as instituições e, principalmente, para os residentes de ILPIs?

Um dos principais benefícios da atuação da terapia ocupacional nas ILPIs é o resgate da habilidade e de atividades significativas, ou seja, a restauração de competências físicas, mentais, vocacionais e sociais mais completas possíveis para o idoso que reside nelas. Promove a manutenção ou restaura a capacidade de viver de forma ativa com as capacidades remanescentes, proporcionando mais independência nas atividades de vida diárias, saúde e bem estar aos residentes.

Conte para gente algum caso marcante que aconteceu no Bem Estar onde você pôde notar uma melhora significativa de algum residente através da terapia ocupacional?

Difícil eleger algum caso marcante, pois cada pequeno ganho é grandioso para a terapia ocupacional e muitos idosos vêm apresentando resultados satisfatórios. Porém, irei citar o caso da Sra. C. Z. que possui 92 anos. Apresenta um declínio cognitivo considerável e grau de dependência avançado. Durante a avaliação da terapia ocupacional, demonstrou apatia, atenção limitada, dificuldade de compreensão e para a tomada de decisões, comprometimento da capacidade comunicativa devido ao déficit cognitivo e um declínio nas habilidades funcionais. Sempre participativa nas atividades em grupo e não estava mais conseguindo interagir como antes, segundo relatos da cuidadora.

Foi proposto então um plano de intervenção com atendimentos individuais, focados em estimular as habilidades cognitivas que mais interferem no cotidiano da idosa, visando trabalhar, principalmente, a amplitude da atenção e da capacidade de fazer escolhas, sequência do pensamento, memória e estímulo à verbalização, entre outras.

A residente também foi inserida no grupo terapêutico para ampliar sua interação social e as trocas de relações, pois o sentido de pertencer a um grupo e de ser aceita são pontos importantes a serem considerados para quem apresenta déficits cognitivos avançados.

Com as intervenções, a moradora já apresenta evoluções favoráveis na capacidade de expressão, participação e envolvimento nas atividades propostas, que estão refletindo positivamente no engajamento das suas ocupações diárias.

Terapia Ocupacional

Como é feita a avaliação dos idosos na visão desse profissional?

Todo processo terapêutico junto ao idoso se inicia com uma avaliação do desempenho ocupacional que engloba diversos aspectos: funcionais, sociais, psicológicos, culturais e de desempenho nas atividades da vida diária (auto cuidado, mobilidade, alimentação, higiene pessoal, vestir, despir e calçar) e nas atividades instrumentais da vida diária (ir às compras, gerir o dinheiro, utilizar o telefone, limpar, cozinhar e utilizar transportes).

No Lar Bem Estar, é realizada análise do perfil ocupacional dos idosos através de entrevista inicial, para entender as demandas principais, interesses e necessidades do idoso e uma avaliação funcional, que possibilita o conhecimento das habilidades e limitações nas suas AVDs (atividades da vida diária) e AIVDs (atividades instrumentais da vida diária), realizada por meio de testes padronizados, se necessário, e por observação direta.

O uso de atividades é essencial no trabalho do TO. Poderia nos descrever algumas atividades que você consegue implementar dentro do Bem Estar e quais os principais ganhos para os residentes? Elas são praticadas individualmente ou em grupo?

O TO faz uso de atividades como um recurso terapêutico para proporcionar ganhos na funcionalidade do idoso. A atividade é usada para avaliar, facilitar, restaurar ou manter as habilidades do residente para serem envolvidas nas ocupações.

Após a etapa da avaliação, são traçados os planos de tratamento e as atividades propostas podem ser realizadas em grupo ou individualmente, dependendo da necessidade de cada um.

As atividades individuais visam, basicamente, contribuir na manutenção e preservação da capacidade funcional e cognitiva da pessoa assistida.

Nos grupos terapêuticos, são realizadas atividades socioculturais, de lazer, ocupacionais e cognitivas. Possuem o intuito de estimular a interação entre os idosos e propiciar a manutenção de seus elos socioculturais com o cotidiano. Além de possibilitar o estímulo de habilidades cognitivas, motoras e processuais, favorecem a ampliação das redes de contato sociais, troca de experiências, aumento da motivação e autoestima. Um exemplo é a atividade de plantar, preferida pelos idosos, que visa permitir o manuseio da terra e os cuidados das flores plantadas, onde são trabalhadas diversas habilidades motoras e cognitivas de forma lúdica e prazerosa.

Terapia Ocupacional